sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

A paz esteja nesta casa! (Lc 10,5)

O Advento é um tempo litúrgico que nos «recorda que Deus vem! Não ontem, não amanhã, mas hoje, agora! O único Deus verdadeiro, "o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob", não é um Deus que está no céu, desinteressando‐se por nós e pela nossa histó‐ria, mas é o Deus‐que‐vem»1: «vem para estar connosco, em qualquer situação; vem para habitar no meio de nós, para viver connosco e em nós; vem preencher as distân‐cias que nos dividem e nos separam; vem para nos reconciliar com Ele e entre nós. Vem à história da humanidade, bater à porta de cada homem e mulher de boa vontade, para dar aos indivíduos, às famílias e aos povos o dom da fraternidade, da concórdia e da paz»2.
A nossa casa comum que é a Terra precisa, hoje mais do que nunca, desse dom! Nesta casa, a violência banalizou‐se! Inúmeras situações de injustiça económica, social, cultu‐ral, étnica e de género, que atentam contra a dignidade do ser humano, geram e agra‐vam uma imparável espiral de ódio e de violência, que atinge toda a criação de Deus, sobretudo os mais fracos e desfavorecidos.
Só a promoção da verdadeira paz, que para os cristãos é uma expressão da fé no amor que Deus nutre por cada ser humano, pode superar essa espiral de violência. Desta fé que muda e renova a vida, inspirada pela paz que Cristo deixou aos seus discípulos, derivam uma nova visão do mundo e um novo modo de aproximar‐se do outro, seja esse outro um indivíduo ou um povo inteiro3.
E esta paz, que vem de Deus e é a meta à qual toda a humanidade aspira, já se tornou presente no meio de nós, no Menino que nos foi dado, o Príncipe da Paz (cf. Is 9,5), na plenitude dos tempos (cf. Gl 4, 4). «Portanto – como escreveu S. Bernardo – agora não se trata de uma paz prometida, mas enviada; não adiada, mas concedida; não profeti‐zada, mas presente»4.
Celebrar o Advento, tempo por excelência da esperança, no qual somos convidados a permanecer em expectativa vigilante e laboriosa, alimentada pela oração e pelo compromisso efectivo do amor, é, pois, celebrar e reflectir sobre o anúncio e a expectativa da vinda do Príncipe da Paz prometido. Significa preparar o caminho para a sua chegada.
Terminamos com o convite feito por Bento XVI ao iniciar o Advento de 2006: «Come‐cemos este novo Advento […] despertando nos nossos corações a expectativa de Deus‐que‐vem e a esperança de que o seu Nome seja santificado, que venha a nós o seu Reino de justiça e de paz, que seja feita a sua Vontade assim na terra como no céu»7.
A paz esteja nesta casa! Uma casa que é de todos e para todos.
Novembro de 2008


1 BENTO XVI – Homilia durante a Celebração das Primeiras Vésperas do 1º Domingo do Advento. 2 de Dezembro de 2006.
2 BENTO XVI – Angelus, 3 de Dezembro de 2006.
3 Cf. COMPÊNDIO DA DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA, 516.

4 S. BERNARDO – Sermão sobre a Epifania. In Liturgia das Horas, 29 de Dezembro.
5 JOÃO PAULO II – Mensagem para o Dia Mundial da Paz 1979.
6 JOÃO PAULO II – Mensagem para o Dia Mundial da Paz 2003, n. 9.
7 BENTO XVI – Homilia durante a Celebração das Primeiras Vésperas do 1º Domingo do Advento. 2 de Dezembro de 2006

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